segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Os Diários Secretos de Charlotte Brontë

Título:Os Diários Secretos de Charlotte Brontë
Autor:Syrie James
Tradução:Flávia Neves
Editora:Record
Páginas:528

Uma leitura envolvente



No início do livro a Syrie James nos diz que este se trata de uma história verídica, os diários realmente existiram, foram encontrados nas Ilhas Virgens Britânicas e autenticados como sendo da Charlotte.

O livro está divido em três volumes e foi escrito de forma romanceada. Quem já leu As Memórias Perdidas de Jane Austen, conhece o estilo da autora e já sabe o que esperar: apenas uma narrativa deliciosa, com lacunas muito bem preenchidas e um estilo bastante fiel a dos autores. Para quem não conhece sobre a vida da Charlotte e até mesmo de suas irmãs, vai se surpreender com a maravilhosa história das Brontë.

A narrativa é feita pela autora como se ela própria fosse Charlotte, por isso irei resenhá-lo como se fosse a própria Charlotte Brontë que estivesse nos contando a história. O diário se inicia com a chegada de Nicholls Bell a Haworth, enviado para auxiliar seu pai na paróquia. Logo de cara, ele mostra uma opinião muito machista em relação às mulheres e tece um comentário sobre a Charlotte, que a deixa bastante ofendida. A partir desse dia, ela nutre por ele uma antipatia ferrenha, o que só vem a aumentar com o passar do tempo e algumas revelações desfavoráveis a seu respeito. Conforme a narrativa vai se estendendo, vamos conhecendo vários lados de Nicholls e sua personalidade: ora nos deparamos com seu mau-humor, sua timidez, ora com suas maneiras cordiais e sua bondade, pois se mostra o tempo todo pronto a ajudar a família Brontë e todos os que estão ao seu redor.

Branwell, Emily e Anne também são constantemente citados e têm suas histórias contadas. Branwell é o irmão mais velho que, após ter um caso com uma mulher casada, volta com a irmã Anne para a casa em Yorkshire. Lá ele se afunda na bebida, torna-se violento, um desalento para o pai e as irmãs que tentam ajudá-lo sem sucesso. Ela relata seus momentos bons com Branwell, nos levando um pouco ao passado, onde ambos escreviam juntos sobre Angria, um país imaginário no continente Africano, com Zamorna, um personagem inspirado em um herói de infância que lutou na batalha de Waterloo: Duque de Wellington.

Emily, a irmã do meio, é muito simples. Uma pessoa de poucas palavras, sem vaidades e também bastante reservada, até mesmo para com suas irmãs, sem deixar com que elas vejam seus trabalhos. Um dia entrando em seu quarto, Charlotte não consegue deixar de ler alguns de seus poemas, o que a deixa muito irritada e sem falar com ela por dias. Suas irmãs, contudo, conseguem convencê-la a dividir suas obras e publicá-las.

Ao contrário de Emily, a doce, meiga e corajosa Anne, a irmã mais nova, sem muitos receios, parece sentir prazer em compartilhar suas obras, se mostra uma pessoa inteligente e cheia de vigor, apesar da saúde frágil.

As três se juntam e fazem uma coletânea de seus poemas, enviando-os a várias editoras. Não tendo muitas chances de publicação sem um custo, elas aceitam pagar para que eles sejam editados, porém, não obtêm sucesso. Charlotte então tem a ideia de escrever romances e, assim, as três se empenham para escreverem seus famosos clássicos.

Ela também relata sua passagem por Bruxelas, onde ficou um tempo estudando com sua irmã Emily. Lá elas aprenderam a aprimorar suas maneiras de pensar e escrever com o professor Constantin Heger, por quem Charlotte desenvolveu uma paixão impossível, já que ele era casado. Depois a narrativa retorna ao presente e assim vai seguindo com mais detalhes dessa vida fascinante.

Esse livro é maravilhoso, assim que terminei a leitura, tive uma sensação triste como se deixasse uma amiga partir. Para quem gosta das irmãs Brontë (eu amo de paixão), ou tem apenas curiosidade sobre a vida delas, vale muito a pena. É extremamente interessante ver como a vida de Charlotte se desenrolou, em como ela superou os obstáculos, as tormentas funestas que a vida lhe reservou e soube transformar essa dor em arte, se tornando uma autora muito aclamada por sua obra Jane Eyre e depois por Shirley e Villette.

Digo com toda minha admiração, que apenas aumentou com essa leitura, que Charlotte e suas irmãs, por toda a genialidade que pairava em suas mentes, continuam sendo símbolos da literatura, mesmo nos tempos de hoje, pois são escritoras incríveis, suas obras só têm a contribuir e acrescentar em conhecimento, dando-nos também uma grande lição de vida.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Por Trás da Escuridão - Chirlei Wandekoken

Título: Por trás da Escuridão
Autor: Chirlei Wandekoken
Editora: Pedrazul
Páginas: 600


“A despedida fora a parte mais difícil uma dor física lhe cortou o peito, tamanha a dor na alma” (pag 38)



A história começa com Ana Solevade, uma mulher viúva, de 34 anos, desempregada e que tem dois filhos: uma menina e um menino e precisa urgentemente arrumar um emprego. Como não consegue arranjar nada em publicidade, que é a sua área, vê um anúncio no jornal para uma vaga em Minas Gerais, na fazendo Montemezzo, onde sua função seria trabalhar como acompanhante de uma idosa. Como está desesperada, Ana se arrisca e liga perguntando informações. Quem atende é um homem. Ele lhe passa alguns detalhes, comunica que a senhora em questão é cega e, por isso, não tem condições de ler ou ficar se locomovendo sozinha. Fala sobre as exigências e Ana fica na expectativa, pois necessita muito do emprego.

Não podendo levar os filhos, pois Maria Helena, a idosa de quem Ana irá cuidar, não permite crianças, ela os deixa com os avós. Ana, contudo, leva sua cachorra, a florinha, pois não tem como quem deixá-la. Um motorista da família Montemezzo vai buscá-la e, enquanto viajam, Ana, curiosa, pergunta sobre a cidade e ele lhe conta a história do lugar, dos barões etc.

Ao chegar à fazenda, Ana conhece Polaco, um garoto encantador – danado – de fofo, que fica encarregado de cuidar de sua cadela, pois ela prefere não se arriscar a ter que abandoná-la, caso a dona não goste de animais. Polaco, vive com a mãe doente e com o padrasto, porém é um garoto muito alegre e cheio de energia. Finalmente, ela conhece também Rodrigo Montemezzo, filho de Maria Helena.

De início, Ana se sente meio intimidada por ele e a mãe. Rodrigo, porém, mostra a ela que é uma pessoa gentil, diferente de Maria Helena, que sempre a trata muito mal. Um dia ao passar mal com uma notícia dada por Rodrigo, a idosa é atendida por Eduardo, um médico muito lindo e charmoso que ganha de primeira o coração de Ana.

“Ana, minha doce e linda Ana, o amor é sacrificial. É decisão. Decide-se amar e pronto. Já a paixão é fogo incontrolável, indomável, loucura mesmo, mas também é dor.” (pag 155)

Tudo estaria bem não fosse Eduardo ser casado. Sobretudo, Eduardo não ama Mona, sua esposa, e isso é ainda mais dilacerante. Em meio a essa decepção, Ana Solevade acaba tendo problemas sérios de família e se vê obrigada a pedir a ajuda de Rodrigo. Ele gentilmente cede ajuda a ela e, em um impulso, acaba pedindo-a em casamento. O momento e a situação acabam induzindo Ana a aceitar, mesmo sem amá-lo.

A partir desses nefastos acontecimentos onde, além de seus problemas pessoais, Ana acaba ficando encarregada de tomar conta de Polaco, que acabou de perder a mãe, um conflito interno começa a ser travado sem seu coração, deixando-a em uma encruzilhada.

Além dessa trama, temos também os segredos do casarão que contém alguns cômodos que se mantêm intocados e trancados; Linda, uma das empregadas que é louca por Rodrigo, Antônia, sua mãe, que quer fazer de tudo para que a filha se case com ele, e os demais empregados que são simplesmente cativantes.

O que eu achei do livro.

A escrita da Chirlei é bem trabalhada, você sente uma delicadeza do início ao fim. Por trás da Escuridão também contém história, além do romance, e é maravilhoso poder conhecer um pouco mais sobre uma parte importante de Minas gerais, particularmente eu gosto muito desse estado, já estive lá algumas vezes e não tem como você não se apaixonar.

Tem amor na história, uma leve sedução, nada apelativo, tudo numa dose sutil e muito agradável. Em cada página há uma surpresa, algum acontecimento marcante na vida dos personagens.

Ana Solevada, apesar de todo o sofrimento, pois se vê sem poder desfrutar de seu amor verdadeiro, casada com alguém a quem não ama e entre tantas dificuldades as quais ela é submetida, é uma mulher que segue em frente, busca novas perspectivas e não se deixa vencer pelo abatimento e a tristeza que permeia em seu coração.

Rodrigo é outro personagem de quem eu não posso dizer que não gostei, aliás, apesar de alguns erros que também lhe custaram a felicidade e a felicidade dos que estavam a sua volta, posso dizer que criei grande apreço por ele. Não é um homem mau, pelo contrário, é cuidadoso, atencioso e amoroso. Com o tempo, essas características vão mudando um pouco, mas é compreensível. Não o julgo e muito menos Ana, pois ambos mentiram, todavia ambos tiveram que arcar com as consequências, o que posso garantir que não foi fácil.

E o que dizer de Eduardo, o belíssimo médico que ocupa os pensamentos e o coração de Ana? Além, é claro, do charme que ele leva consigo, é um homem extremamente divertido. Confesso que senti um pouco de raiva dele por “falta” de algumas atitudes, mas isso se deve ao fato de que eu não entendia seus motivos, o que só vem a ser esclarecido mais para o final do romance.

Também me apaixonei pelo danado do Polaco! Aliás, tenho que confessar que ele se tornou um dos meus personagens prediletos nesse livro. Sua humildade, sinceridade e sua maneira de falar me conquistaram. Uma das personagens do livro diz que para medir o caráter de uma pessoa é necessário saber se ela gosta de animais e de crianças, então já posso dizer que tenho medo de quem não gostar do Polaco, pois ele é realmente encantador com sua simplicidade.

No geral, não teve ninguém na história de quem eu não gostasse, mesmo a Linda que era “rival” de Ana (pelo menos no ponto de vista dela) não me causou – muita – raiva, nem Antônia com aquele jeito afetado de ser, tampouco Maria Helena que, apesar de tudo, acabou de certa forma se tornando amiga de Ana.

Por trás da escuridão não é um livro “romântico” por assim dizer, ele não se foca apenas no envolvimento dos personagens principais, apesar de boa parte da história girar em torno do que ela sente por Eduardo, o que move ela a realizar muitas coisas. Todavia, aborda muitos outros temas interessantes e que te fazem refletir.

Cada um tem um modo de ver as coisas e somente a Chirlei é quem pode dizer com clareza o que ela realmente quis passar (claro, se foi ela que escreveu‼!). Mas eu costumo pensar que quando um autor joga sua obra para o mundo, essa definição fica a encargo de cada um, ganhando assim novos significados. Então o que eu posso dizer é que para mim esse livro se trata de como você deve medir suas escolhas, pois elas podem ter um preço caro mais para frente; em como você deve lutar pelo amor; em como deve ser sincero com os outros e consigo mesmo, pois a mentira traz consequências desastrosas; em como você deve escolher bem o seu emprego, ou você poder terminar numa teia de acontecimentos caóticos que irão mudar sua vida completamente‼! o.O rs… Sobretudo, ensina que o tempo pode passar, mas sempre haverá uma nova chance para que você seja feliz e tome as decisões certas, basta você se dar uma chance.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O Morro dos Ventos Uivantes x Longa e Fatal Caçada Amorosa







Morro dos Ventos Uivantes x Longa e Fatal Caçada Amorosa



Um foi escrito pela Emily Brontë e o outro pela Louisa May Alcott, duas escritoras distintas, com vidas distintas e estilos bem diferentes, entretanto, nessas duas obras consigo enxergar algumas semelhanças e me arrisco até a dizer que Longa e Fatal Caçada Amorosa também tem algo de Jane Eyre, pois alguns trechos lembram muito a história.
Para começar, esse livro a Louisa fez depois de uma viajem à Europa, e só conseguira essa viajem, pois fora como dama de companhia de um enfermo (Wikipédia). Quando retornou, viu que a família passava por algumas dificuldades financeiras. Seu editor pediu que ela escrevesse algo para que ele publicasse, entretanto esse romance não foi aceito por não ser adequado, além de longo. Louisa fez várias mudanças, mas nem com as mudanças, nem mesmo com pseudônimo masculino, ela conseguiu publicá-lo (dois anos mais tarde, escreveu Little Woman, obra que a consagrou no mundo literário).

Longa e Fatal Caçada Amorosa conta a história de Rosamund, uma mocinha cheia de energia, impetuosa, inocente (sim, inocente) e muito bonita. Sonha em sair da casa onde mora com um avô rabugento, que parece não nutrir nenhum tipo afeto por ela. Vê a chance de realizar seus anseios quando surge a visita inesperada de um homem, Phillip Tempest, velho amigo de seu avô, que muda toda sua história. Ela acaba se apaixonando por ele e pela liberdade que ele pode oferecer a ela.

Tempest é um homem mais velho, vivido, além de muito atraente. Acaba se apaixonando por ela, e a ganha em uma aposta que faz com seu avô, levando-a, assim, para sua casa. Rosa é feliz por muito tempo com ele, entretanto, sua natureza perversa aparece e logo ela acaba descobrindo que se envolveu com um homem pérfido e mentiroso. (SPOILER) Descobre que seu casamento foi falso, pois ele já é casado e passa muito tempo tentando fugir dele. Mas há um grande problema, pois ele sempre a encontra e ela sempre fica em dúvida se deve ceder ou não a esse amor.

Tá e qual as semelhanças entre as duas obras?

Confesso que as heroínas nada têm em comum, pelo menos não Catherine e Rosamund, pois Cathy tem um temperamento desvairado (convenhamos que a Cathy é meio maluquinha), enquanto Rosa tem um temperamento doce e bondoso. Contudo, Rosa é determinada como Jane (Jane Eyre), pois quando descobre que Tempest é casado e o seu casamento foi uma farsa, ela tenta fugir (assim como Jane faz quando descobre que Rochester é casado) do pecado que ele a fez cometer, já que ambos viviam como se fossem mesmo casados (ai você já vê tudo).

Já os anti-heróis como Heathcliff e Tempest, têm temperamentos obstinados e muita determinação em suas maldades, sem se compadecer muito daqueles que sofrem ao redor, a não ser dos seus objetos de afeto, porque, afinal, é pelas amadas que eles fazem tudo que fazem. Os dois parecem achar certa graça em tudo e a culpa parece ser uma palavra que eles não conhecem. Demonstram veneração extrema pelas amadas, mas nem esse amor consegue aplacá-los, e de forma alguma eles conseguem deixá-las, por assim dizer, em paz; além do que, nos dois casos, nem a morte pode “separá-los”.

Apesar das semelhanças, ler Morro dos Ventos Uivantes e ler Longa e Fatal Caçada Amorosa é bem diferente, até porque a Louisa tem um estilo mais aventureiro (apesar de que muitos consideram essa obra de Louisa como seu lado mais gótico). As duas leituras, no entanto, causam certa angustia, pois você torce (eu pelo menos torci) para que aqueles que sofrem consigam sair das garras de Heathcliff, assim como você torce para que Rosa consiga se livrar das perseguições de Tempest.

E para finalizar, quem não leu Morro dos Ventos Uivantes vale a pena conferir, até porque você só pode saber se vai ou não gostar se der uma chance ao livro; e quem não leu também Longa e Fatal Caçada Amorosa, eu digo que vale a pena, mas já adianto (SPOILER) que se você é uma daquelas pessoas sensíveis que espera um belo final, infelizmente isso não acontece.

sábado, 4 de outubro de 2014

A Boa Moça - Gergette Heyer

Título: A Boa Moça
Autor:Georgette Heyer
Tradução:Sérgio Duarte
Páginas:288
Editora: Record


A boa moça



A boa moça com o visconde Ashley Desford, um homem que leva uma vida confortável e não tem desejo de se casar.

Em uma viajem que faz a casa de uma tia, ele é convidado a ir a um baile. Nesse baile, ao se afastar do salão onde estão os convidados, encontra, em um cômodo distante, uma moça chamada Cherry, escondida a observá-lo. Cherry surge timidamente, e ambos ficam a conversar, Desford despreocupadamente e ela com receio de ser pega pela tia.

Sem mais se lembrar do ocorrido, Desford, decide que já está na hora de voltar, no entanto, no meio do caminho, ele se depara com Cherry que parece estar querendo fugir de casa. Ele tenta convencê-la a voltar, mas Cherry está decidia a ir em busca de seu avô.

O moço acaba ajudando-a, levando-a para Londres, entretanto, quando chegam à mansão de seu avô, descobrem que ele não se encontra e pior… ninguém sabe de seu paradeiro.

O visconde acaba tendo que recorrer a uma velha amiga, com quem quase se casara, Henrietta Silverdale, que tenta fazer o máximo para ajudá-lo.

O Visconde passa a procurar o avô da jovem – que tem fama de ser carrancudo e sovina – por todos os lugares da Inglaterra, sem muito sucesso. É uma jornada longa em que além de ter que tentar encontrar o parente da jovem, ainda precisa zelar por suas reputações, para que não tenham ideias erradas sobre os dois.

Georgette Heyer é uma escritora maravilhosa e suas obras são comparadas as de Jane Austen.

Apesar de não ser o meu livro predileto da Georgette, essa obra é muito legal e tenho um apreço enorme por ela, pois foi meu primeiro contato com essa escritora. Se você busca romance meloso, certamente com a Georgette você não irá encontrar. Eu me arrisco a dizer que ela se encaixa num estilo mais aventureiro. Esse talvez seja um ponto negativo para alguns, porque uma de suas características, pelo menos dos livros que li até agora, é não se apegar ao casal principal. Ela explora todos os personagens. Por esse motivo ela entrou na minha lista de autoras preferidas

Perdida - Carina Rissi

Título: Perdida
Autor: Carina Rissi
Editora: Verus
Páginas: 362

"– Hã… Será que você poderia me ajudar? Estou meio… perdida. – Um riso nervoso escapou dos meus lábios.
– Perdida? – Ela não pareceu nada surpresa.
– É. Eu estou num lugar muito estranho onde… onde… – Era difícil dizer em voz alta. Tomei fôlego. – Onde algumas pessoas pensam ser o século dezenove. – Ri nervosa outra vez. – Dá pra acreditar?
– Claro que dá! E você não está perdida. Está exatamente onde deveria estar."



Perdida




O que dizer de um presente tão maravilhoso quanto esse livro?
Ganhei esse romance da minha amiga Adriana e procrastinei um pouco para lê-lo, mas assim que peguei e comecei, descobri que esse é um livro impossível de largar.

A história começa com a Sofia. Ela trabalha numa empresa, com um chefe hiperchato que não dá muito valor ao seu trabalho, apesar de ela ser a melhor no que faz. Para sair do estresse, Sofia sai com sua melhor amiga, Nina. No bar, o Oca, a amiga conta que ela e o noivo pretendem formalizar o relacionamento. Sofia, como boa amiga que é não entende porque ela quer se casar com um cara como Rafael, um riquinho mimado que nem a trata tão bem, como Sofia acha que ela merece. Sofia não acredita no amor.

Enfim, lá ela bebe todas e precisa usar o banheiro, acaba deixando o celular cair na privada. No outro dia se dá conta do que houve e corre para uma loja para comprar um novo, afinal, não pode viver sem tecnologia. Lá ela conhece uma vendedora muito estranha que lhe vende um celular maravilhoso com direito a tudo que um bom celular deve ter. Sofia sai da loja encantada, ansiosa para experimentá-lo. Todavia, ao tentar usar o monstrinho, o danado simplesmente não liga. Até que de repente, um clarão, e Sofia reaparece em outro século.

No início, ela não se dá conta do que houve. É encontrada por um homem estranho que veste roupas estranhas! Ian Clarck, um cavalheiro muito educado, que, vendo sua situação, não hesita em ajudá-la. Como haveria de ser uma garota do século XXI, Sofia desconfia de tanta generosidade e fica muito confusa com o cenário no qual se encontra. Como assim carruagem?!

Com dificuldade, Ian consegue persuadi-la a ir com ele para sua casa. Lá ela é tratada com muito carinho por ele e pela irmã Elisa, que lhe empresta vestidos adequados , já que o que ela está usando é terrivelmente escandaloso para época.

Mesmo com todos os sinais, Sofia ainda desacredita que algo como aquilo possa estar acontecendo com ela. Recebe então uma ligação da misteriosa vendedora que lhe diz que ela só saíra de lá quando encontrar o que estava procurando.

Sofia acaba tendo que se virar e logo começa uma busca para descobrir como voltar para casa. Contudo, ela só não contava que pudesse se apaixonar nessa jornada o que acaba complicando ainda mais as coisas.

O que achei do livro


O livro é realmente muito divertido, a Sofia é uma personagem extremamente engraçada, logo no início você chora de rir com as maneiras dela. E o que dizer do banheiro? E do alface? A maneira como vira e mexe ela fala gírias e todos ficam com cara de “hã?” como se ela fosse de outro mundo (tá ela é do século XXI, mas ainda é do nosso planeta!). O modo liberal como ela se expressa deixando o pobre do Ian corado. Não tem como não amar a Sofia.

O Ian também é encantador, um cavalheiro, muito gentil e compreensivo. Está o tempo todo ajudando-a, mesmo sabendo que ela pode, de certo modo, partir seu coração já que não pode ficar e insisti em voltar.

O cenário também é demais, confesso que estranhei muito ela ter deixado a questão histórica da escravidão de lado, pois os personagens e toda a situação é muito europeia, no início nem achei que a história se passasse no Brasil. Porém, no final do livro, ela explica o porquê. Além do mais, é ficção e se ela pôde mudar esse passado feio que foi a escravidão, mesmo que de mentirinha, está mais que apoiado.

Esse livro é fantástico e vale a pena ser lido. Vai fazer você sorrir e se emocionar. Eu recomendo.

[CUIDADO COM O SPOILER]

Separei um trecho lindo do livro. Nessa cena Ian se declara para Sofia. É de fazer suspirar!!!

“— Sinto que posso... Flutuar quando estou com você, como se fosse capaz de realmente voar! Sinto-me completo pela primeira vez, Sofia. Há uma força em você que me atrai, que me arrasta para perto, uma força inexplicável que turva meus pensamentos. Não consigo pensar em nada mais, apenas em como seria tocar seu cabelo... — ele afrouxou meu pulso e delicadamente deslizou os dedos em uma mecha perto do meu rosto. — Segurar sua mão... — segurou minha mão por um momento,
depois a colocou sobre o peito, sobre seu coração. — Sinta o que acontece com meu coração quando estou com você. — batia forte e rápido, assim como o meu. Eu lutava para respirar.
— E quando não estou com você, meu peito fica vazio, como se meu coração se
recusasse a bater até que lhe encontre novamente. Sinta! Ele diz Sofia, Sofia, Sofia! Tem sido assim desde a primeira vez que a vi. Desde aquele instante percebi que não era mais dono do meu coração, que ele não me pertencia mais. Então — ele tocou meu rosto, deslizou os dedos por meu pescoço e acabou os prendendo em minha nuca.
—Não diga que não existe “nós”!”