segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Shirley – Charlotte Brontë



Livro: Shirley
Autor: Charlotte Brontë
Editora: Pedrazul
Páginas:397


Sinopse:

Nas profundezas Yorkshire rural, Briarfield, por volta de 1811, as guerras napoleônicas causavam grandes transtornos. O comércio estava péssimo, comerciantes enfrentavam a bancarrota e usineiros como, Robert Moore, um jovem e ambicioso cavalheiro, se via forçado a lutar para manter o seu negócio. É neste cenário, em que a ordem social de toda a região estava abalada, que a vibrante, emancipada, inteligente e misteriosa jovem herdeira, Shirley Keeldar, retorna à mansão de Fieldhead. Obstinada, assim que ela toma posse da grande quantidade de terra, da casa e do imóvel onde funcionava o moinho de Robert Moore, muita coisa começa a mudar na região. Rapidamente se torna amiga íntima da órfã e delicada Caroline, uma menina muito bonita, sobrinha do reverendo anglicano Helstone. Shirley guarda um segredo, mas isso não impede que todos os homens elegíveis do município, assim que souberam de sua chegada e fortuna, lhe propusessem casamento. Exceto Moore que, preocupado com seu negócio, não dava muita atenção ao assunto, muito menos a uma das jovens que era secretamente apaixonada por ele. Intrigas, rebeliões, doenças, solidão, orgulho e paixão marcam este romance que, no final, os verdadeiros sentimentos, finalmente, vêm à luz e a verdade é descoberta

Minha opinião.


''O amor pode desculpar qualquer coisa, exceto a maldade. A maldade mata o amor, aleija a afeição natural e, sem estima, o amor verdadeiro não pode existir. (Pág. 95)'' Shirley - Charlotte Brontë

Pelo que sabemos, Shirley foi escrito num determinado momento da vida em que Charlotte havia perdido os irmãos: Branwell (Setembro de 1848), Emily (Dezembro de 1848) e Anne (Maio de 1849). Shirley nada mais é que o retrato da sociedade do século XIX, representando a desigualdade entre o sexo e as classes.

Diferente de todos os outros romances, Shirley é narrado em terceira pessoa e tem um ar menos dramático, posso dizer que achei até um pouco cômico a maneira como ela descreve algumas situações. Vemos isso logo no início do livro, nas primeiras linhas: “Nos últimos anos, uma chuva abundante de vigários caiu sobre o Norte da Inglaterra. Em qualquer colina se pode deparar com um deles e cada paróquia tem mais de um. Embora os jovens não sejam muito ativos, são, contudo, prestativos. (pág. 9)”. Esse humor a acompanha durante todo o romance, contudo, como é característico de Charlotte Brontë, o drama também está ali presente.

A história se passa nas épocas das Guerras Napoleônicas e Revolução industrial. Por conta dessas guerras aumenta-se a dificuldade dos comerciantes e a Revolução industrial traz consigo a miséria dos trabalhadores que são substituídos por maquinários e veem seus empregos perdidos. Isso, claro, gera muita revolta por parte deles.

Robert Moore, um personagem peculiar, dono de uma fábrica, se mostra a favor do progresso e defende com afinco suas ideias, chegando ás vezes a parecer grosso, contudo, é um homem bonito, culto e, de certa forma, romântico. Tem dois irmãos: Hortense, que vive com ele e Louis que é professor, porém vive longe.

Outra personagem que, de certa forma, acaba roubando a cena da protagonista é Caroline Helstone, órfã de pai, que não faz ideia do paradeiro de sua mãe e vive com seu tio pároco. Diferente da personagem Jane Eyre que era descrita como feia, Caroline é muito bonita, e nutre um amor platônico pelo seu primo, Robert Moore.

Shirley, a personagem principal, aparece praticamente no segundo volume da obra. Órfã e herdeira, Shirley Keeldar se mostra uma mulher de fortes opiniões, quase um homem de saias. É uma mulher que toma partido em muitos assuntos e tem uma voz forte, se fazendo ouvir por todos ao seu redor.

Podemos ver claramente em Caroline, apesar de seu jeito meigo, que ela também é uma mulher a procura de mais, podemos sentir seu desejo de liberdade quando ela diz que não quer apenas viver em casa sem ocupações, deseja ardentemente poder fazer algo na vida, ter funções assim como os homens que podem exercer uma profissão.

Charlotte Brontë era uma feminista, é impossível não sentir a sua indignação sobre as injustiças cometidas pela sociedade com as mulheres, os menos afortunados, em como coisas fúteis e mesquinhas eram valorizadas. Em Jane Eyre Virginia Woolf diz: “Nós abrimos Jane Eyre e somos envolvidos pela genialidade, veemência e indignação de Charlotte Brontë. É o intenso brilho vermelho do fogo do coração que ilumina suas páginas”. Eu digo que em Shirley esse brilho vermelho não se apagou, pois ainda podemos sentir esse brilho intenso incendiar suas páginas, cada uma delas.

Shirley é um livro que vale a pena ser lido e relido, pois além do romance maravilhoso entre os personagens, ele nos transporta para outra época onde ficamos conhecendo verdadeiramente sua história. Com essa obra, Charlotte Brontë conseguiu mais uma vez provar sua genialidade e posso dizer que esse livro entrou na minha lista de prediletos ocupando um lugar especial no meu coração.